O evangelho do Natal

1 Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. 2 Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. 3 Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. 4 José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, 5 a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. 6 Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, 7 e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.

8 Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. 9 E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. 10 O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: 11 é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. 12 E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura. 13 E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo:

           14       Glória a Deus nas maiores alturas,
        e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.

15 E, ausentando-se deles os anjos para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer. 16 Foram apressadamente e acharam Maria e José e a criança deitada na manjedoura. 17 E, vendo-o, divulgaram o que lhes tinha sido dito a respeito deste menino. 18 Todos os que ouviram se admiraram das coisas referidas pelos pastores. 19 Maria, porém, guardava todas estas palavras, meditando-as no coração. 20 Voltaram, então, os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora anunciado.

(Lc 2.1-20 ARA)

Talvez você já tenha ouvido falar de um conto de Charles Dickens, chamado “Um Conto de Natal”. Se você nunca o leu, talvez já tenha visto algum filme ou série que faz alusão a esse conto. Ele conta a história de Scrooge, um velho avarento e egoísta que recebe uma aparição tenebrosa: a visita de três fantasmas. Eles são o “fantasma do natal passado”, o “fantasma do natal presente” e o “fantasma do natal futuro”. Essas aparições lembram Scrooge de fatos a respeito de sua vida, e trazem uma mensagem sombria, uma má notícia: se Scrooge continuar no caminho em que está, morrerá sozinho, e ninguém lhe sentirá falta. O que acontece a seguir é que Scrooge se arrepende, e sua vida se transforma completamente. Ele muda de rumo, e se torna uma boa pessoa.

Essa é a história escrita por Dickens. Já a história narrada no evangelho de Lucas é diferente. Em primeiro lugar, é uma história real. Realmente aconteceu. Em segundo lugar, ela também fala sobre uma espécie de aparição. Essa aparição também é assustadora, e causou muito medo! Mas ela não traz uma mensagem sombria. Ela traz sim uma boa notícia, que é o próprio evangelho. Por fim, essa história contada por Lucas também muda vidas. Ela mudou vidas de muitos homens e mulheres ao longo da história.

O evangelista Lucas escreveu essa história com muitos detalhes. Ele não quer que percamos nada. Ele conta a história do nascimento de Jesus com informações que não vemos em nenhum outro evangelho. Ele fala do censo. Ele localiza esse acontecimento no tempo e no espaço, na História. Ele fala da manjedoura. Ele fala até da roupa que Jesus foi vestido.

Por que? Porque ele quer que tenhamos certeza. Ele falou com testemunhas, e procurou conhecer até os mínimos detalhes (Lc 1.3). E aí ele diz a Teófilo o porquê (Lc 1.4): “para que tenhas certeza das coisas em que foste instruído”. Lucas quer que tenhamos certeza. Ele escreveu esse evangelho para que creiamos, e tenhamos certeza das coisas que ouvimos.

Lucas ele conta uma história com a intenção de que tenhamos fé. É essa a ideia. E a verdade aqui, neste verdadeiro Conto do Natal, é a seguinte: o natal só faz sentido por causa do evangelho. E é nisso que devemos crer ao ouvir essa história. O nascimento de Cristo só é tão importante porque ele veio com uma missão. O evangelho dá sentido ao natal. O evangelho todo está presente no natal. Há o que podemos chamar de “o Evangelho do Natal”.

Tudo começa com um censo, decretado por César Augusto, que leva José e Maria a Belém. Lá, Maria dá a luz a Jesus, que é posto numa manjedoura. Depois, anjos anunciam a pastores o nascimento do Cristo, numa visão estarrecedora. Por fim, os pastores visitam Maria e Jesus, e lá contam as boas novas que ouviram, e saem de lá louvando a Deus por tudo que ouviram e vira.

Há três coisas que podemos observar na narrativa do nascimento de Jesus:

  1. O nascimento de Jesus aconteceu segundo os planos de Deus;
  2. para o propósito de Deus;
  3. e transformou a vida de pessoas.

1 O NASCIMENTO DE JESUS ACONTECEU SEGUNDO OS PLANOS DE DEUS (1-7)

A primeira coisa que podemos observar é que o nascimento de Jesus Cristo aconteceu segundo os planos de Deus. Aqui está uma doutrina que nós chamamos de Providência de Deus. Nós, cristãos, não acreditamos em sorte, azar, acaso, coincidência. Acreditamos que Deus está no controle do universo. Ele está no controle da História. A História não é um ciclo. Deus a direciona em direção a um fim. Ele levanta reinos. Ele derruba reinos. Ele tem o controle das nossas vidas. Nós não sabemos os planos de Deus, a não ser os que ele decidiu revelar. Mas sabemos que Deus é sábio. Ele faz tudo muito melhor do que nós podemos sequer imaginar. E Deus exerce todo esse controle para o nosso bem.

1.1 A PROVIDÊNCIA DE DEUS NAS COISAS

Deus estava no controle do decreto de César. César não fazia ideia de que, ao assinar o decreto do censo, teve parte no nascimento de um rei muito mais poderoso do que ele!

Jesus tinha de nascer em Belém. O profeta Miqueias (Mq 5.2), centenas de anos antes, profetizou que na pequena cidade de Belém nasceria o rei de Israel. Enfim se cumpriria a promessa que Deus fez a Davi: que sua dinastia seria eterna. Esse rei reinaria para sempre.

Para que se cumprisse, Deus moveu o mundo inteiro! Deus fez César decretar um censo (v. 1-3). Ele convocou toda a população do império. E naquele tempo o domínio de Roma estava no seu auge. Provavelmente todo o mundo conhecido dos judeus pertencia a Roma.

Foi nesse tempo, durante o reinado de César, quando Quirino governava a Síria, foi nesse lugar no tempo e no espaço que Jesus nasceu. Lucas agiu aqui como um bom historiador. Isso nos lembra de como o nascimento de Cristo é um evento histórico, crível, verdadeiro. Isso realmente aconteceu na história.

1.2 A PROVIDÊNCIA DE DEUS NAS PEQUENAS COISAS

Deus moveu também até os pequenos detalhes. Ele fez com que Maria fosse junto de José para Belém (v. 5). Ele fez com que a gravidez se completasse exatamente nesse período (v. 6). Ele fez com que ficassem numa casa simples, humilde, onde faltava lugar para Jesus ficar (v. 7). Ele fez com que Jesus ficasse numa manjedoura, e fosse envolto em faixas, o que serviria posteriormente de sinal. Tudo isso foi feito da forma mais sábia. Tudo para mostrar que Jesus é realmente o filho de Davi, e para servir de sinal para nós. Deus move a história. Todas as coisas se movem segundo o seu propósito.

Os planos de Deus não são e nunca serão frustrados. Apesar dos meus e dos seus erros e fracassos, Ele vai concluir o fim glorioso que planeja para mim e para você. Não foi graças a José e a Maria. Não foi graças a César Augusto ou a Quirino. Foi graças ao bom propósito, à boa vontade de Deus, ao favor de Deus.

O evangelho é plano de Deus. A salvação vem do Senhor. Não vem de nós. Em sua infinita misericórdia e bondade, Deus decidiu enviar seu filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).

Às vezes não entendemos os caminhos de Deus. Por que Maria teve de viajar durante uma gravidez? Por que eles tinham de ficar sem lugar na hospedaria? Não sabemos. Contudo, nós podemos e devemos confiar que Deus é bom. Ele é bom, e seu propósito é bom. Ainda que não entendamos, ele é mais sábio do que eu e você.

Nós queremos ter o controle de nossas vidas. Às vezes queremos ser protagonistas, diretores e roteiristas de nossa própria história. Só que esquecemos que a História não é sobre nós. É sobre ele. É tudo sobre Jesus, sobre o dia em que “Deus enviou seu filho amado para nos amar e perdoar”. É tudo sobre ele.

2 O NASCIMENTO DE JESUS ACONTECEU PARA O PROPÓSITO DE DEUS (8-14)

Nós vimos que o nascimento aconteceu segundo os planos de Deus. O segundo ponto é que o nascimento de Jesus aconteceu para o propósito de Deus. E que propósito é esse? É Alegria, Salvação, Glória e Paz. É propósito de Deus que nós tenhamos alegria, não mais medo, diante de sua presença. Teremos alegria por causa de uma pessoa: Jesus, Salvador, o Cristo, o Senhor. E em tudo isso Deus é glorificado, e os homens recebem paz de Deus.

2.1 ALEGRIA

O primeiro propósito é a alegria. Um anjo do Senhor apareceu diante de pastores que estavam ali perto (v. 8-9). E então a glória do Senhor brilhou a esses pastores. A glória do Senhor é a presença do Senhor, foi dada a pessoas simples que vivem do campo. Isso é um grande acontecimento! É uma visão ao mesmo tempo magnífica e terrível!

E eles tiveram a reação mais natural quando se está na presença de Deus: eles morreram de medo. Eles tremeram diante da presença de Deus. E essa é a reação mais normal na Bíblia. Lembre-se do que aconteceu quando Isaías teve a visão do trono de Deus: ele tremeu de medo. “Tenho lábios impuros, sou de um povo de lábios impuros, ai de mim!”

Mas então o anjo responde: Não tenham medo (v. 10)! E isso é uma ordem. Não temais! E agora o anjos lhes apresenta os motivos para não ter medo. Quais são?

O primeiro motivo é que eles estão anunciando uma boa notícia de grande alegria. Eles estão evangelizando, é esse o verbo no original: evangelizo. E evangelizam uma grande alegria, para eles e para todo o povo! É esse o primeiro propósito da vinda de Jesus: alegria!

Perceba o contraste: Não tenham medo! Pois lhes trago uma notícia muito alegre! Medo não! Alegria! Agora não precisa ter medo na presença de Deus. Agora pode-se alegrar na presença do Senhor.

2.2 SALVAÇÃO

O segundo propósito é a salvação. É por causa da salvação que não precisamos ter medo. É por causa dela que podemos ter alegria. E a salvação vem por meio de uma pessoa (v. 11): “é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.”

Timothy Keller tem uma frase que diz: “O mundo não pode salvar a si mesmo. Essa é a mensagem do natal”. E é por isso Deus enviou um Salvador. A salvação precisa vir de fora de nós. E ela veio. Um menino nasceu e ele é o nosso Resgatador.

Esse Salvador é o Cristo! Cristo significa, literalmente, Ungido. Esse é um termo messiânico, usado pelos profetas no Antigo Testamento. Esse termo se refere ao Messias, o Resgatador de Israel. Ele é o prometido pelos profetas.

Esse Salvador é o Senhor! Perceba, primeiro, um anjo do Senhor apareceu. Então, a glória do Senhor brilhou, e foi uma visão tremenda. Mas agora nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. Ele está conosco. Ele agora é um menino. Não precisa ter medo. O Senhor veio. Não para julgar, não ainda. Não para condenar. Ele veio para salvar os pecadores. Essa é a boa notícia!

E não apenas isso, como também o fato de que agora esse rei está acessível a eles. O anjo dá um sinal aos pastores (v. 12): o menino está envolto em faixas, e deitado numa manjedoura. Ele nasceu numa condição humilde. Aqueles detalhes que Deus planejou agora fazem toda a diferença na proclamação do evangelho.

Jesus não é apenas o Cristo, o Senhor que nasceu. Ele está acessível. Ele não está num palácio. Ele está numa casa humilde. Ele não está em berço de ouro. Não, ele está na manjedoura. Ele se fez pobre, por amor Ele pode ser achado, encontrado pelas pessoas mais simples. Ele é um Salvador acessível.

2.3 GLÓRIA A DEUS

Então repentinamente aparece um exército de anjos (v. 13). E esses anjos irrompem em louvor! E eles dizem (v. 14): “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.” Esses são os terceiros e quarto propósitos de Deus: Glória a Deus e Paz aos homens.

O terceiro propósito é a Glória a Deus. Glória a Deus nas alturas! Ele é o Deus que assumiu a natureza humana. Ele é agora forte, e fraco, poderoso e dependente, invencível e frágil. E nisso tudo ele é mais e mais glorificado!

Deus é glorificado tanto em sua justiça quanto em sua misericórdia. Ele poderia ter nunca vindo, e todos nós iríamos para o inferno. Pois é o que todos nós merecemos. E Deus seria glorificado mesmo assim. Todos veriam o quão justo ele é. Mas agora ele veio como nosso Salvador. E assim ele é ainda mais glorificado! Pois podemos louvá-lo pela grandeza de sua justiça e de sua misericórdia! Agora podemos dizer: Ah, Deus, como tu és Santo! Como tu és Justo! E como és perdoador e misericordioso!

2.4 PAZ AOS HOMENS

O quarto propósito é a paz aos homens. Mas o que especificamente é essa paz? Primeiro, a paz aqui não é um “sentimento de paz”. Não é “sentir paz no coração”. Tampouco é o fim de todas as guerra. Aliás, Jesus mesmo diz que veio para dividir (Mt 10.34), ele traz guerra ao mundo! É curioso que seja um exército celestial a proclamar a paz.

Que paz é essa então? Essa paz é paz com Deus. Éramos inimigos de Deus. Fazíamos rebelião contra Deus. E agora, Deus tira tudo isso do meio do caminho e nos traz para a presença dele.

Note que não são todos os homens que recebem essa paz. Aqui é especificado: “aos homens a quem Deus quer bem”, ou “a quem Deus favorece”. São aqueles que são seus, a esses Jesus veio redimir. Nós não precisamos mais temer a Deus. Não precisamos nos esconder, como Adão e Eva. Isso é a paz de Deus!

3 O NASCIMENTO DE JESUS TRANSFORMOU VIDAS (15-20)

Nós vimos que o nascimento de Jesus aconteceu segundo os planos de Deus, e para o propósito de Deus. Esse propósito é: Alegria, Salvação, Glória a Deus e Paz aos homens. Isso é o próprio evangelho.

Agora, em terceiro lugar, o nascimento de Jesus foi um acontecimento que transformou vidas. Isso é o evangelho. Deus executou um plano, enviou seu Salvador, e vidas são transformadas. Quais foram os efeitos do nascimento na vida daquelas pessoas?

3.1 FÉ

O primeiro efeito é a fé (v. 15). Assim que os anjos partiram, os pastores decidiram ver os acontecimentos que lhes foram revelados. Eles não foram ver para ter certeza. Eles já tinham certeza. Eles sabiam que era uma revelação de Deus, que “o Senhor os deu a conhecer”.  Eram verdades maravilhosas demais para ser ignoradas. Eles foram prontamente regenerados e habilitados a crer. Eles foram favorecidos por Deus. Eles receberam a fé que é dom de Deus.

3.2 PROCLAMAÇÃO

Então eles foram apressadamente (v. 16), chegaram e viram Maria e Jesus deitado na manjedoura. E assim que viram (v. 17), a primeira coisa que fizeram foi falar. Eles divulgaram o que tinham ouvido a respeito de Jesus. É esse o segundo efeito na vida daqueles homens: a proclamação. Eles proclamaram as verdades ouvidas.

Eles receberam a palavra revelada do Senhor. Eles foram e experimentaram o  fato de que essa palavra é verdadeira. Então, desataram a falar a todos a boa notícia recebida. O evangelho deu aos pastores motivo para proclamar. Os direcionou para a missão, para o evangelismo. Não seria exagero dizer que eles foram os primeiros evangelistas!

3.3 REFLEXÃO

O terceiro efeito do evangelho foi a reflexão, a consideração naquilo que foi dito. Todos os que ouviram os pastores ficaram admirados (v. 18). Porém, Maria (e aqui você tem um contraste) guardou essas palavras no coração (v. 19). Ela meditou nessas palavras no coração. Há um outro lugar da Bíblia que tem palavras bem parecidas. É lá em Gênesis (Gn 37.11), quando Jacó ouve os sonhos de José. Jacó considerava o caso consigo mesmo.

Maria ouviu aquelas palavras e refletiu. As informações trazidas pelos pastores eram novas, até mesmo para ela. Ela provavelmente refletia no que aquilo significava, a respeito da pessoa de seu filho. E ela também aguardava os próximos acontecimentos dessa história.

O coração é, para o entendimento do judeu, o centro das emoções e da razão humana. É o âmago do ser. Foi no coração que Maria guardou essas palavras, e provavelmente as disse depois para Lucas, que escreveu este evangelho. O evangelho gerou reflexão em Maria. Gerou uma reflexão profunda, uma meditação do coração. Deu a ela muita coisa para pensar.

3.4 ADORAÇÃO

Por fim, o último efeito do nascimento na vida dessas pessoas é a adoração (v. 20). Os pastores saíram louvando e glorificando a Deus porque tudo aconteceu como foi dito.

Perceba como essa é uma verdade muito enfatizada nesse texto: tudo aconteceu como foi dito. Eles foram ver “os acontecimentos”, que “o Senhor deu a conhecer” (v. 16). Aí eles viram, igualzinho foi dito, e então “divulgaram o que tinha sido dito” (v. 17). Agora eles louvam a Deus, por tudo que “tinham ouvido e visto”, “como lhes fora anunciado” (v. 20).

Qual é o ponto aqui? É que tudo o que foi revelado é verdade. É tudo verdade! Lucas escreveu para que tenhamos certeza. A Palavra é verdadeira, e ela aponta para Cristo. Se você, como os pastores, crer nesta palavra e ir até Cristo, verá que é tudo verdade. Experimentará a graça de conhecer a Cristo. E louvará a Deus, porque ele fez coisas maravilhosas para nos salvar.

Isso tudo é motivo de louvor. Podemos louvar a Deus, assim como aqueles homens, porque nos foi dado a conhecer a verdade. Ela foi ocultada dos sábios e poderosos, e foi revelada aos humildes (Mt 11.25). Glória a Deus!

CONCLUSÃO

Esse é o evangelho do Natal. Tem evangelho do começo ao fim.

O evangelho é o plano de Deus, que se cumpre da maneira mais inesperada e pelos meios mais humildes.

O evangelho é o propósito de Deus de salvar pessoas através de seu Filho, Cristo, Senhor, trazer paz aos homens consigo mesmo, e dessa forma ele é glorificado.

E o evangelho transforma nossas vidas, nos dá uma nova fé, e um ímpeto para proclamar a verdade. O natal é o evangelho!

O que isso tem a dizer a mim e a você? Eu gostaria de fazer algumas aplicações desse texto.

O NATAL É SOBRE O EVANGELHO

A primeira é que o natal é sobre o evangelho. Celebre o evangelho neste natal. Vocês sairão daqui e provavelmente vão para uma ceia familiar. Haverá muitos comes e bebes. Muitas mãos para apertar, muita gente para abraçar.

Isso tudo é muito bom, mas não deixe que o “Boas Festas” substitua o “Feliz Natal”. Não deixe que o nascimento de Cristo seja ofuscado por o que quer que seja. Nós vimos aqui que natal é sobre Cristo, e não apenas isso: é sobre o nascimento de um salvador prometido, do próprio Senhor. Natal é sobre agora termos alegria e paz na presença de Deus. Natal é sobre o fim da guerra com Deus. É sobre a glória de Deus. Faça uma oração hoje com sua família. Lembre-se de Cristo nesse dia. Tenha uma “liturgia de natal” em sua casa.

O NATAL É MISSIONÁRIO

A segunda aplicação é que o Natal é missionário. O Natal é sobre missão. É sobre evangelização. E aqui eu cito o Pr. Valdeci Santos, no seu artigo sobre o Natal.

O natal é missionário porque todos os detalhes do nascimento de Cristo contribuíram para a proclamação do evangelho. A manjedoura e as faixas, tudo foi sinal usado por Deus para a proclamação. Então, logo que aconteceu o nascimento, anjos proclamaram o evangelho. E, por fim, quando se encontraram com Jesus, os pastores também divulgaram a boa notícia.

O que isso diz para nós? Use esse natal para evangelizar. Use esse natal para falar de Cristo aos seus familiares. Essa data talvez seja o último resquício de alguma cristandade em nossa cultura, e a temos perdido. Vamos usar o Natal para anunciar a Jesus!

E se você ainda não conhece a Jesus Cristo; se você ainda não experimentou de sua graça; se tudo isso aqui é novidade para você; então saiba que Deus enviou um Salvador, porque nós não podemos nos salvar. Essa é a mensagem do natal. Por isso você não precisa mais ter medo de Deus. Você tem motivo de muita alegria na presença de Deus. Você pode confiar nesse Salvador e Senhor, que propicia salvação a você. E, por fim, depositar nele sua fé e esperança, para viver uma vida plena.

BIBLIOGRAFIA

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