Princípios para a música no culto – A música e o culto [2]

Este texto é a segunda parte de um estudo ministrado à equipe de música da Igreja Presbiteriana Adonai, a respeito do papel da música no culto cristão.

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Glória a Deus

A música deve render glórias a Deus, e não ao homem. Não se trata do que eu faço, mas de quem Deus é e do que Ele faz. Se a música é muito centrada no que “eu vou fazer” ou “eu vou receber”, algo está errado. Nosso foco deve ser direcionado a Deus: ao que Deus fez, a quem Deus é.

O que deve direcionar nossa escolha de músicas no culto não deve ser preferências pessoais ou o que nos toca emocionalmente; mas o que é adequado para aquele momento de adoração comunitária.

Explicatio Textus, Prædicatio Sonora

A música no culto não tem fim em si mesma. Ela tem um aspecto funcional: ela deve servir para o ensino da igreja. Não é música pela música, arte pela arte, mas é um instrumento para o ensino. Sempre foi! Desde os tempos mais remotos a música é tida como um meio de guardar informações. Se eu te perguntar o que foi pregado na semana passada, dificilmente você irá lembrar, mas se eu começar a cantarolar alguma música, é possível que você se lembre da letra até o fim. Os judeus sabiam de cor todos os salmos. Mas isso era mais fácil para eles do que para nós, porque os salmos eram músicas, e eles conheciam as melodias, que eram cantadas nos cultos e nas festas anuais.

Lutero dizia que a música deve ser um sermão cantado, que ela deve explicar o texto bíblico. Nós percebemos hoje que as pessoas aprendem teologia muito mais com músicas que com palestras ou livros. A música tem o poder de levar uma mensagem direto ao coração. Assim, um cuidado teológico com a música se faz muito necessário.

Excelência com reverência

A excelência na música do culto deve ser buscada, mas também a simplicidade deve ser desejada, tendo como objetivo guiar as pessoas ao verdadeiro foco: a glória de Deus. A equipe de música tem a responsabilidade de guiar a igreja em louvor, e por isso não deve chamar atenção para si.

Kevin DeYoung diz:

“Na adoração corporativa, o foco deve ser no evangelho e na glória suprema de Jesus Cristo. Se as guitarras estão desafinadas, o sistema se som está com microfonia, o pregador gagueja em cada frase e quem conduz as músicas deixa todo mundo meio nervoso, então nosso foco estará no lugar errado. Como fazer as coisas com decência e ordem ajuda os outros e é agradável a Deus, devemos buscar adorar com excelência (1 Coríntios 14.40). Mas essa excelência não pode ser algo que distrai (para usar uma expressão do John Piper). Se o guitarrista começa um solo fantástico, o sistema de som possui um sub-woofer embaixo de cada assento, o pregador exala eloquência estética e os que conduzem as músicas parecem fazer você se sentir aproveitando uma performance, então nosso foco estará igualmente no lugar errado. O objetivo é liderar de tal forma que não somos nem desastrados nem espertos demais para que não nos esqueçamos da glória de Deus.”

A questão de que o culto deve render glórias a Deus deve nos levar a tomar cuidado para não chamar atenção para nós mesmos. Quando a equipe de música está à frente, ela tem a responsabilidade de guiar a igreja em adoração a Deus através da música. Isso significa que há alguns cuidados que precisam ser tomados para que a atenção da igreja seja prendida à mensagem da música, e não à pessoas. O papel da equipe não é se expressar individualmente, mas sim guiar a igreja a adorar comunitariamente. Várias dicas e regras poderiam ser colocadas aqui, mas o mais importante é que o princípio seja compreendido.

Na questão de excelência musical, algo importante a ser dito é que nem sempre devemos seguir o arranjo original das músicas. É interessante sempre adequar a música ao nosso contexto e às nossas limitações. Às vezes podemos arriscar entradas, solos para os quais não estamos prontos. Simplifique. O simples fica elegante, quando bem feito. Tentar fazer algo que está além das nossas capacidades e errar vai levar a igreja a desviar sua atenção para nós, e vai nos atrapalhar também de focar na adoração que também devemos prestar a Deus.

Também devemos adequar o arranjo ao momento de culto. Eu até defendo que pode ser usada alguma criatividade nas introduções, nas pontes, podem ser feitas algumas frases musicais. Mas em tudo isso deve haver bom senso, e a constante lembrança de que não é um show. O volume deve ser adequado até o ponto em que a igreja possa se ouvir cantando. Os solos devem ser adequados até o ponto em que a igreja consiga acompanhar a música sem a sensação de que está presenciando um espetáculo.

Referências:

DEYOUNG, Kevin. A Theology of Worship. The Gospel Coalition. (link)

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