O pecado e a consciência – Lições do pecado de Davi [4]

Essa é a quarta parte de uma exposição em 2 Samuel 11. Acompanhe o blog e veja essa série completa.

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A quarta coisa que aprendemos é que o pecado cauteriza a consciência. Veja os versículos 16 a 25 (2Sm 11.16-25 ARA).

16 Tendo, pois, Joabe sitiado a cidade, pôs a Urias no lugar onde sabia que estavam homens valentes. 17 Saindo os homens da cidade e pelejando com Joabe, caíram alguns do povo, dos servos de Davi; e morreu também Urias, o heteu. 18 Então, Joabe enviou notícias e fez saber a Davi tudo o que se dera na batalha. 19 Deu ordem ao mensageiro, dizendo: Se, ao terminares de contar ao rei os acontecimentos desta peleja, 20 suceder que ele se encolerize e te diga: Por que vos chegastes assim perto da cidade a pelejar? Não sabíeis vós que haviam de atirar do muro? 21 Quem feriu a Abimelequeb, filho de Jerubesete? Não lançou uma mulher sobre ele, do muro, um pedaço de mó corredora, de que morreu em Tebes? Por que vos chegastes ao muro? Então, dirás: Também morreu teu servo Urias, o heteu.

22 Partiu o mensageiro e, chegando, fez saber a Davi tudo o que Joabe lhe havia mandado dizer. 23 Disse o mensageiro a Davi: Na verdade, aqueles homens foram mais poderosos do que nós e saíram contra nós ao campo; porém nós fomos contra eles, até à entrada da porta. 24 Então, os flecheiros, do alto do muro, atiraram contra os teus servos, e morreram alguns dos servos do rei; e também morreu o teu servo Urias, o heteu. 25 Disse Davi ao mensageiro: Assim dirás a Joabe: Não pareça isto mal aos teus olhos, pois a espada devora tanto este como aquele; intensifica a tua peleja contra a cidade e derrota-a; e, tu, anima a Joabe.

Uma manobra arriscada

Joabe cumpriu o que Davi lhe ordenou. Ele ficou numa situação difícil aqui. Como questionar uma ordem do rei? Então, ele fez uma manobra arriscada, que custou a vida de muitos homens, para cumprir o intento de Davi.

A cidade de Rabá estava cercada, porém ainda não era momento de tomá-la. A estratégia certa seria esperar até que a cidade ficasse sem mantimentos, e assim não pudesse mais se defender. Era besteira se aproximar demais da muralha, porque toda cidade tinha arqueiros, que poderiam atirar a uma certa distância. Foi dessa forma que Abimeleque, filho de Gideão, morreu em Tebes. Ele se aproximou de uma muralha, e uma mulher atirou uma pedra de moinho nele. As histórias das guerras nos tempos dos juízes eram conhecidas em Israel, e dava a eles experiência para guerrear.

Mas Joabe colocou Urias entre os homens mais fortes, e foi com eles até a muralha (v. 17). Ele sabia o que ia acontecer. Muitos homens morreram, e dentre eles Urias.

Joabe fez questão de deixar claro a Davi seu descontentamento com esse derramamento de sangue. Ele manda um mensageiro levar a Davi um relatório da batalha (v. 18). Mas ele prevê que talvez Davi lhe culpe pela derrota e pelas mortes (v. 20), e já deixa pronta uma justificativa direta: “Urias também morreu” (v. 21). É como se dissesse nas entrelinhas: “Se Davi reclamar, lembre-o de que foi ele quem pediu”.

Um crime perfeito

Davi talvez percebesse aqui o descontentamento de Joabe, pois manda o mensageiro responder: “Não pareça isso mal a teus olhos, a espada devora tanto este como aquele” (v. 25). Houve perda de vidas por causa dessa manobra imprudente. Davi se recusa a receber a acusação de Joabe, e para não culpar a si mesmo, faz pouco caso. “Todo dia morre gente na guerra”. É possível que Davi não esteja dizendo isso apenas a Joabe, como também a si mesmo.

Davi nunca foi alguém insensível. Ele chorou a morte de Jônatas. Ele lamentou a morte do Rei Saul, o que lhe perseguia. Joabe esperava uma bronca de Davi, porque normalmente ele lamentaria e se enfureceria com tantas mortes. Mas aqui Davi aparentemente aceita as baixas, como o preço de uma guerra. Ele é tremendamente auto-indulgente!

Tudo está aparentemente resolvido para Davi. Provavelmente, pouca gente sabe. Só os mais próximos de sua guarda, e o próprio Joabe. A morte não lhe seria imputada por ninguém. Morreu na guerra, oras! Era homem valente! Um crime perfeito. Davi diz: “não pareça isso mau a teus olhos!” É o objetivo de Davi. Ele não quer ser reprovado por ninguém. Sua consciência está cauterizada. Ele se recusa, por ora, a reconhecer seu erro. Basta que ninguém o descubra.

Uma consciência cauterizada

Lembre-se dos casos de pastores que cometeram adultério, que citei no começo. Como é possível que domingo após domingo eles preparem sermões? Como é possível que preguem sobre santidade, sobre a lei de Deus, sobre o evangelho, enquanto vivem uma constante mentira?

É claro que o cristão peca na vida. Mas existe uma grande diferença entre o pecado que é um acidente de percurso e uma vida em pecado. Há muitos que continuamente escondem e mentem sobre si mesmos, e quando confrontados por seus pecados, dizem: “Mas você não pode me julgar! Isso é falta de amor!” Isso é fruto de uma consciência dura, insensível, que não sente mais a seriedade do seu pecado.

Esse é você?

Se esse for você, há duas coisas que você precisa saber. A primeira é: existe a tremenda possibilidade de você nunca ter nascido de novo. Não adianta dizer “não pareca isso mau aos teus olhos”. Não adianta dizer “não me julgue”. O versículo 27 nos revela que, ainda que não pareça mau aos olhos de Davi, foi mau aos olhos de Deus. É possível enganar a todos, menos a Deus.

A segunda é: não existe outra saída, a não ser buscar desesperadamente a Cristo. Só Ele tem as palavras de vida eterna. Ninguém é salvo pela aparência. Ninguém é salvo porque vai à igreja todo domingo. Ninguém é salvo por ser respeitado pelos outros, ou por ter boa reputação. Nada disso importa para Deus. Só Cristo pode te salvar. Sem arrependimento, sem derramar seu coração diante de Deus, sem reconhecer seu pecado, não tem jeito.

O que diferenciou Davi de Saul, o rei que foi reprovado por Deus, não foi a intensidade do pecado. Davi pecou tanto quanto Saul. O que diferencia os dois é que Saul permaneceu orgulhoso até o fim, mas Davi se arrependeu. O capítulo 12 mostra seu arrependimento. Davi reconheceu seu pecado diante do profeta Natan. Também precisamos reconhecer nossa fraqueza diante de Deus.

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